quinta-feira, 14 de julho de 2011

A "arte" do desmembramento

Robert- François Damiens


Robert- François Damiens (9 de janeiro de 1715 - 28 março de 1757) foi um camponês francês acusado de atentar contra a vida do rei Luís XV em 1757, o que culminou numa notória e controversa execução pública. Damiens foi a última pessoa a ser executada na França de acordo com métodos que incluíam tortura e esquartejamento.
Em 5 de janeiro de 1757, enquanto o rei entrava em sua carruagem, Damiens o atacou com uma faca, causando apenas uma ferida superficial. Damiens não tentou fugir, sendo logo apreendido. Ele foi, então, torturado e forçado a dizer quem eram seus cúmplices no atentado e quem o havia mandado. O interrogatório não teve sucesso. Ele foi condenado por Parricídio (um atentado contra o pai -Luís XV se considerava o pai de todos os franceses) e setenciado a tortura e esquartejamento por cavalos na Praça de Grève. (Wikipédia)
'Robert le Diable' (Ele ganhou o apelido de 'Roberto, o Diabo')


A Gazeta de Amsterdã do dia 1 de abril de 1757 narra a execução do condenado Robert - François Damiens, em grandes detalhes. O local de execução seria a porta da frente da Igreja de Paris, onde seria conduzido “em um carro, desnudo, apenas de camisa, segurando uma vela acesa pesando duas libras, desde ali até a Praça de Grève”. Lá chegando, o colocaram sobre um "platíbulo", uma espécie de plataforma de madeira, para começar a sua morte lenta.

Primeiro, com tenazes (alicates) esquentadas no fogo alto, arrancaram seus mamilos e continuaram arrancando pedaços de carne. Retiraram grandes pedaços nos braços, coxas e pernas, ou seja, em áreas onde havia mais gordura. Sua mão direita, aquela que segurou a faca utilizada no regicídio, foi colocada sob um fogo que ardia em enxofre, e nos lugares onde foram removidos os pedaços de carne eles derramaram uma mistura de chumbo derretido, óleo fervente, cera de breu fervente e enxofre fundidos. Em seguida, seu corpo seria esquartejado por quatro cavalos. Seus membros e o resto do corpo seriam consumidos pelo fogo, reduzidos a cinzas, e estas, jogadas ao vento.


Rei Luís XV 

Esta foi a sua sentença de morte, porém, como relatou o Diário de Amsterdã, esta operação revelou-se muito demorada, pois os cavalos amarrados a seus braços e pernas, com o objetivo de desmembramento, não teriam força suficiente para tal, pois se tratavam de cavalos que possuíam apenas o hábito de puxar carroças. Então, ao invés de quatro cavalos, foram amarrados seis (os outros dois cavalos foram amarrados, um na cabeça e outro na cintura do condenado). Infelizmente, mesmo os seis cavalos não foram suficientes. Não houve alternativa senão cortar os nervos e as articulações das pernas e braços, para facilitar o trabalho dos cavalos.



As testemunhas da execução afirmaram que o réu em nenhum momento pronunciou um palavrão, mas as dores excessivas faziam-no dar gritos horríveis, entre os quais asseguraram que ele dizia: “Meu Deus, tem misericórdia de mim! Jesus, me socorre!" Os espectadores ficaram emocionados e pediram para que o padre da paróquia de Saint-Paul, apesar da idade avançada, amparasse o condenado no momento da morte.




Mas a utilização de cavalos fracos não foi apenas a única idiotice cometida nesta execução. Segundo as palavras de uma testemunha presencial: “O fogo era tão medíocre que apenas chamuscou a palma da sua mão. Um dos carrascos, trouxe as tenazes (alicates) de aço feitos especialmente para a ocasião, com cerca de um pé e meio de comprimento (um pé equivale a 30,48 centímetros)". 


"Ele foi encarregado de arrancar com os alicates a panturrilha direita, partes da coxa, músculo do braço direito e o que sobrou dos seios. O executor, embora forte e robusto, teve muito trabalho para retirar os pedaços de carne que agarrava com seus alicates enormes. Ele retorcia a ferramenta na carne, umas duas ou três vezes para conseguir arrancar. De modo que cada parcela rasgada, deixava uma ferida do tamanho de um escudo de seis libras”.



“Após o uso das pinças, Damiens, que gritava muito, apesar de não liberar nenhum palavrão ou juramento, baixou sua cabeça e olhou seu corpo ferido. O mesmo carrasco que utilizou as pinças pegou uma panela e preencheu abundantemente, com a mistura fervente, cada ferida do condenado. Eles então amarraram as cordas que seriam amarradas nos cavalos, ao que restou de seus braços, pernas e coxas. Naquela época, o secretário, o Sr. Le Breton, se aproximou para perguntar se ele tinha algo a dizer. Damiens disse que não. Ele apenas repetia em seu tormento: Desculpe, meu Deus! Apesar de todos os seus sofrimentos, muitas vezes levantou a cabeça e olhou corajosamente  para o céu como se buscasse algo".




Aproximaram-se dele os confessores que falaram rapidamente: "Beija de bom grado este crucifixo que te apresentam e volte a pedir perdão".  Os carrascos começaram a puxar os cavalos, um homem para cada cavalo, puxando cada membro. Após um quarto de hora, eles não haviam conseguido nada mais do que desconjuntar os membros. Tentaram novamente mudando o sentido de cada cavalo. Nada adiantou.




O carrasco Samson, aquele que usou o alicate, depois de três tentativas terminou com seu cavalo deitado no chão, exausto. Aproximando-se com uma faca, ele cortou as articulações das pernas e do tronco. Os cavalos voltam a puxar e conseguem arrancar as pernas, a direita primeiro, a esquerda depois. Os carrascos fizeram o mesmo com os braços, sendo estes arrancados no mesmo sentido das pernas. Primeiro o direito, depois o esquerdo.



Finalmente as quatro partes foram retiradas. Os confessores se aproximaram para falar com condenado, mas os carrascos falaram que ele já estava morto. Porém, na verdade ele ainda estava vivo e mexeu o maxilar como se quisesse pronunciar algo. Um dos carrascos disse depois que ao se aproximar para pegar o tronco, o homem ainda estava vivo e falou algumas palavras. Colocaram os quatro membros na fogueira destinada para tal fim e depois o tronco (ainda vivo), colocando em cima dele mais lenha para reduzi-lo a cinzas. 




O fogo continuava ardendo até às dez e meia da noite, e os soldados destinados a  acompanharem a fogueira até enquanto houvessem vestígios dela, permaneceram ali até as onze horas.

Um fato curioso é que no dia seguinte, um cão estava dormindo no local onde o corpo foi incendiado e voltou para dormir lá todos os dias. Todo mundo falava que o animal havia escolhido este lugar como o local mais quente do mundo.