quarta-feira, 6 de julho de 2011

Karla Homolka e Paul Bernardo - Serial Killers

Paul Bernardo, estuprador
 

De 1987 a 1990, vários casos de estupro foram registrados em um bairro residencial de Toronto, Canadá. As vítimas eram garotas entre 15 e 21 anos, geralmente atacadas após descerem do ônibus, à noite. O agressor, portando uma faca, as obrigava à prática de sexo anal e a chuparem o seu pênis. Além disso, com o rosto no chão, tinham que falar que o amavam e que eram “putas”, “vadias”.
Na verdade, houve uma escalada de violência: nas primeiras investidas, nem mesmo penetração peniana houve. Nos últimos ataques é que o agressor se tornara mais violento.
Paul Bernardo
O uso de força física excessiva demonstrava, para os investigadores, que ele sentia ódio das mulheres. Postularam também que teria uma estrutura de personalidade paranóica, culpando o mundo (especialmente o sexo feminino) por seus fracassos.
Enquanto tais perfis eram feitos, Jennifer Galliganm foi à polícia denunciar seu ex-namorado, Paul Bernardo, por ameaças, violência, estupro. O caso não foi aprofundado.

Paul Bernardo nasceu em 1964. Sua mãe, ainda casada, teve um caso com um ex-namorado. Paul era filho desta relação extra-conjugal, mas foi registrado como filho legítimo. O pequeno Paul Bernardo não sabia disto.
Seu “pai” (o marido de sua mãe) era violento. O “pai” de Paul chegou a abusar de uma filha, adolescente. A mãe, bastante deprimida com a situação em que vivia, engordou bastante e passou a ficar a maior parte do tempo isolada do mundo, no porão de sua casa.
Paul, entretanto, era um adolescente bem sociável, participava de atividades de escoteiro, era estudioso, até que, aos 16 anos, após uma briga com a mãe, esta lhe contou sobre o seu verdadeiro pai.
Paul Bernardo desenvolveu, então, uma relação de agressividade verbal e física com suas futuras namoradas.
Entretanto, manteve uma vida social regular, com bom desempenho escolar e trabalhando como contador.


Paul Bernardo conhece Karla Homolka

 

Em 1987, Paul Bernardo conheceu Karla Homolka. Ele tinha 23 anos; ela, 17. Ele a cobria de presentes e ela logo estava muito apaixonada por ele.
Karla nasceu em 1970 e teve duas irmãs. Até então, levava uma vida normal de adolescente. Entretanto, seus conhecidos notaram que, antes de Paul, Karla Homolka era uma garota “com personalidade”, mas, depois, seu mundo começou a girar em torno de Paul Bernardo, mesmo com ele morando em outra cidade.
Karla Homolka e Paul Bernardo
Karla Homolka e Paul Bernardo
Apenas em 1990 o retrato falado do estuprador foi publicado (e foi oferecida uma grande recompensa), e algumas pessoas foram à polícia dizer que ele se parecia com alguém que conheciam: Paul Bernardo. Entretanto, outras pessoas também foram indicadas como parecidas ao retrato: haviam nada menos que 230 suspeitos!
Porém, destas duas centenas de pessoas, apenas 5 tinham o tipo sanguíneo que combinava com o material encontrado nas vítimas. Uma destas pessoas era Paul Bernardo.
O estuprador parou de agir e o caso foi deixado de lado.
Paul Bernardo, que já era noivo de Karla Homolka, havia ido morar na casa desta, mudando-se de cidade.
Karla idolatrava Paul e participava de suas brincadeiras sexuais sádicas, e até incentivava-as, porque queira agradá-lo. 

Perversões sexuais de Paul Bernardo

 

Karla idolatrava Paul, que era obcecado na irmã mais nova de Karla, Tammy. Paul insistiu com Karla que queria a virgindade de Tammy, como compensação por Karla não ser virgem quando a conheceu.
Tammy Homolka
Karla trabalhava em uma clínica veterinária, e lá furtou um anestésico. No dia 23 de dezembro de 1990, no jantar de Natal da família, o casal colocou os sedativos na bebida de Tammy. Quando os pais de Karla foram dormir, o casal atacou Tammy, que já estava desmaiada – mesmo assim, Karla jogou mais anestésico em um pano e com este tapou o nariz da irmã. A ação foi filmada. Paul não apenas quis tirar a virgindade de Tammy como fez sexo anal com a garota, que tinha apenas 15 anos. Além disto, fez Karla acariciar a irmã.

Matam a irmã de Karla, acidentalmente

 

Mas algo saiu errado. Tammy começou a vomitar e logo teve uma parada cardíaca. O casal chamou uma ambulância. Tarde demais, Tammy estava morta.
Para todos pareceu uma morte acidental.
Porém, Paul Bernardo estava revoltado: havia perdido sua virgem. Karla deveria repor o prejuízo. Foi o que ela tentou fazer: filmaram-se transando no quarto de Tammy, entre suas bonecas, Karla fingindo que era Tammy.
Não foi o suficiente para acalmar Paul Bernardo. Karla Homolka teve uma idéia: convidou uma amiga à casa que o casal havia recentemente alugado, e lá a embebedou e drogou. Então chamou Paul e lhe mostrou a surpresa. Paul fez com a garota o mesmo que fez com Tammy: filmou, transou, fez sexo anal, fez Karla ter relações com ela.
A garota acordou no dia seguinte passando mal e sem entender as dores que sentia…

Um casal de assassinos

 

14 de junho de 1991. Leslie Mahaffy, de 14 anos, foi a uma festa e não voltou. Seus pais acharam que tinha fugido de casa, como já tinha feito antes. Seu corpo foi encontrado 15 dias depois – ou melhor: uma parte de seu corpo, saindo de um bloco de cimento em uma represa que estava sendo esvaziada. Os outros pedaços logo foram encontrados, em outros blocos. O corpo havia sido desmembrado com uma serra.
No mesmo dia em que o corpo foi achado, Karla e Paul se casavam, em uma cerimônia muito pomposa. Nos seus votos, Karla jurou “amor e obediência” a Paul Bernardo.
Paul agora já não tinha um trabalho comum, havia virado contrabandista de cigarros, dos Estados Unidos para o Canadá.
E não queria parar com suas “brincadeiras” sexuais…
Leslie foi abordada por Paul enquanto ela voltava para casa. Com uma faca, ele a obrigou a entrar em seu carro. Levou-a para sua casa. Karla dormia, e quando acordou teve que participar dos jogos sádicos de Paul. Porém, desta vez não foi usado nenhum sedativo, e a menina gritava de dor enquanto Paul penetrava seu ânus e Karla filmava tudo. Karla também participou ativamente, como quando enfiou uma garrafa de vinho na vagina de Leslie.
Leslie foi morta enforcada com fios e teve seu corpo dividido com uma serra. Karla contaria, depois, que apanhou de Paul após jogarem os blocos no lago, por não ter usado luvas, o que poderia deixar digitais no cimento.
Em julho, uma moça denunciou que um homem a perseguia, motorizado. Anotou a placa: era de Paul Bernardo. Fato similar ocorreria em abril de 1992. Mas a polícia estava ocupada com o caso de Leslie.
30 de novembro de 1991. Terri Anderson, de 14 anos, desapareceu…
16 de abril de 1992. Kristen French, raptada no estacionamento de uma igreja. Corpo encontrado nu, o cabelo raspado, 14 dias depois. Sem o seu relógio do Mickey Mouse…
Karla Homolka participou deste rapto. Com um mapa, pediu ajuda à garota, que se aproximou do carro. Paul Bernardo a empurrou para dentro do automóvel.
Enquanto presa na casa dos dois, Kristen tentou entrar no jogo de Paul, pensando que assim conseguiria escapar. Pelo contrário, isto pareceu tornar Paul ainda mais agressivo. Paul chegou a urinar na garota e tentou defecar sobre ela. Ainda socava a garota, que foi obrigada a dizer várias vezes que o amava.
A sessão de violência durou horas e horas. Quase tudo foi filmado, menos a hora em que a garota foi assassinada, também por estrangulamento com fios.

vítimas de Paul Bernardo e Karla Homolka
         vítimas de Paul Bernardo e Karla Homolka

Apenas em maio de 2009  foi encontrado o corpo de Terri, em um lago. Hipótese para a causa mortis, feita pela polícia: afogamento, após embriaguez e uso de drogas – apesar de a menina não ter histórico de uso de drogas.
A investigação destes crimes, de alguma maneira, finalmente chega a Paul Bernardo. Policiais vão à sua casa. Ele trata bem os investigadores, que notam que o seu carro não é o mesmo descrito por uma das testemunhas do rapto de Kristen.

Karla contra Paul

 

Karla Homolka agredida por Paul Bernardo
No início de 1993, após ser bastante espancada por Paul (foi até hospitalizada), Karla pede ajuda a uma amiga. O marido da amiga é policial, e resolve dar seguimento a uma investigação paralela. A Polícia interroga Karla, que percebe que eles estão começando a ligar os fatos. E eles percebem que ela tem um relógio do Mickey…
Paul Bernardo é preso, acusado dos estupros e de dois homicídios. Uma busca em sua casa encontra relatos detalhados de cada estupro, além de muito material (livros e filmes) relacionado a sexo e violência – inclusive o livro “Psicopata americano”, de Bret Easton Ellis, que deu origem ao filme com mesmo nome (o personagem tem ações bem parecidas com as de Paul). Também encontraram um vídeo onde Karla faz sexo com duas mulheres. E uma fita de rap gravada por Paul, chamada “Inocência mortal”, cantando sobre crimes sexuais.
Sabendo que o casal filmou os crimes, a polícia praticamente destruiu sua casa deles busca das fitas, mas não as encontrou.
O advogado de Karla conseguiu um acordo, em troca de sua colaboração: doze anos de prisão, no máximo, pela cumplicidade nos homicídios, estando apta para a condicional em três anos. Cumpriria a pena em um hospital psiquiátrico.

Julgamento de Paul Bernardo

 

A cela de Karla Homolka tinha pôsteres do Mickey e ela começou um curso, por correspondência, de Psicologia. O julgamento de Karla Homolka seria amplamente coberto pela mídia.
Em 1994, o casal de serial killers se divorciou.
O julgamento de Paul foi em 1995, dois anos após sua prisão. Isto porque seu advogado havia pegado os vídeos, após a revista policial: estavam escondidas sob o teto da casa. Porém, as conversas de Paul e seu advogado estavam sendo gravadas e as fitas foram solicitadas. O advogado abandonou o caso e foi substituído. Assim, o processo se prolongou com estas reviravoltas.
As fitas foram exibidas apenas para os jurados, o público podia apenas ouvir os gritos das vítimas, os gemidos, as ordens de Paul Bernardo.
Karla foi convocada como testemunha de acusação. Disse que Paul a obrigava a usar coleira, que enfiava objetos em sua vagina, que a enforcava durante o sexo.
Já Paul tentou mostrar que Karla não era nenhuma vítima, pelo contrário: havia sido ela a responsável pela morte das garotas, e que ele nem estava em casa quando elas faleceram – em sua “opinião”, Leslie morreu por overdose e Kristen por enforcamento acidental.
Karla, segundo Paul, era fria (após a morte de Kristen, correra para secar o cabelo, pois iriam jantar na casa de seus pais) e sádica também. De certa forma, os vídeos comprometiam Karla, pois em muitas cenas ela não parece sofrer com a situação. Ela disse que era obrigada a sorrir, caso contrário, apanharia. Em uma cena aparece dizendo que adorou ver a irmã ser estuprada.
A Justiça canadense se viu então em apuros, por causa do acordo que havia feito com Karla. Agora haviam sérias dúvidas sobre o quanto ela realmente apenas uma “vítima da paixão”.
De fato, durante o cativeiro das garotas, Karla teve oportunidades de fugir – ela chegou a ir trabalhar enquanto as garotas estavam presas em sua casa. E só denunciou os crimes quando viu que a situação poderia apertar para seu lado.
Karla Homolka na prisão
Karla Homolka na prisão
A promotoria, para acusar Paul Bernardo, disse que Karla era vítima da “Síndrome da Mulher Espancada”: mulheres sob violência psíquica e física constante desenvolvem muito medo de serem mortas por seus companheiros e, assim, tornam-se totalmente submissas a eles.
Paul se manteve calmo durante todo o julgamento e confessou também muitos dos estupros. Foi condenado. No mínimo 25 anos preso, antes de poder tentar a condicional.
O primeiro advogado de Paul, Ken Murray, que escondeu as fitas, foi levado a julgamento, por obstrução da justiça, mas foi inocentado. Segundo ele, a idéia era usá-las contra Karla, deixando primeiramente que ela se fizesse de vítima e depois a desmascarando.
Após o julgamento de Paul, os vídeos foram destruídos, por ordem judicial.
A casa que era do casal teve que ser demolida, pois ninguém queria alugá-la, e outra foi levantada no local.
As mães de Leslie e Kristen atualmente colaboram com programas de ajuda a vítimas de crimes.

Onde está Karla Homolka?

 

Karla Homolka conseguiu mudar de nome, passando a se chamar Karla Teale. As análises psicológicas e psiquiátricas concluíram que ela realmente era fria, anti-social. Ela, entretanto, mantinha a posição de vítima.
Em 2002, foi lançado o livro “Le pacte avec Le Diable”, de Stephen Williams, contendo correspondências trocadas entre o autor e Karla Homolka durante mais de um ano.
Karla Teale saiu da prisão em 2005. Paul passa 23 horas do dia em uma pequena cela, isolado.

 Filme sobre Karla 



“Karla – paixão assassina” Título original: “Karla”.
Ano: 2005.
Direção: Joel Bender.
Com: Laura Prepon (Karla Homolka) e Misha Collins (Paul Bernardo).

Sinopse: Karla Homolka está presa e passa por uma avaliação psiquiátrica, em busca de liberdade condicional. Ela relata sua vida desde que conheceu Paul Bernardo e os fatos são mostrados em flashback. A dupla de serial killers raptou, sedou e violentou algumas garotas. A primeira a morrer foi a irmã de Karla.

Comentários: o filme hesita em mostrar Karla sentindo prazer na sua participação nos crimes de Paul Bernardo. Esta opção do diretor é compreensível se levarmos em conta que é mostrada, no filme, a versão de Karla. Entretanto o espectador é levado, assim, a se esquecer de que existe uma outra versão. Falamos nem é da versão de Paul, que as mortes foram acidentais, que aconteceram quando apenas Karla estava vigiando as vítimas. Falamos da versão de vários psicólogos e psiquiatras que a avaliaram, que pintam Karla como fria, amoral, sádica. Isto é, da versão que mostraria Karla rindo e gozando com as agressões às garotas.
Apenas no final do filme, em letreiros, fala-se que nos relatórios das avaliações Karla foi considerada “superficial, articulada, manipuladora, egocêntrica, se não narcisista, cujo comportamento não pode ser explicado somente pela intimidação ou abuso exercidos por Paul Bernardo. Apesar de sua habilidade em apresentar-se bem, há uma vacuidade moral e ausência de empatia pelas vítimas.”
Mas depois de duas horas em que vemos uma Karla vítima da paixão e do medo, este letreiro é insuficiente. Sem querer, ou não, o filme acaba sendo partidário de Karla.
Ressalte-se, entretanto, que as interpretações são boas.
(Última observação: no filme, os nomes das vítimas foram trocados por nomes fictícios.)