sábado, 3 de agosto de 2013

Quando o amor vira obsessão-O caso Parker-Hulme


O caso Parker-Hulme foi um assassinato ocorrido em Christchurch, Nova Zelândia, em 1954. O caso teve notoriedade quando uma mulher foi assassinada por sua filha mais velha e sua melhor amiga. O assassinato deu origem ao filme de 1994, “Almas Gêmeas”, que foi o filme que introduziu Kate Winslet no cinema.



Juliet Hulme, de 15 anos, conheceu, na Nova Zelândia, uma colega de escola, Pauline Parker, de 16 anos. Ambas se tornaram boas amigas e sonhavam com uma vida juntas, cheia de fantasia, atores famosos (como James Mason e Orson Welles). Também se soube que tiveram uma espécie de relação lésbica.

Com o passar dos tempos, a intensa relação de amizade que surgiu entre elas vai chegando aos limites do amor obsessivo. Juliet não era nada sem sua Pauline, e Pauline não poderia viver sem sua Juliet. Passam os verões juntas, os invernos e todas as horas do dia uma com a outra. Descobriram que tinham uma imaginação incrível e a utilizaram para criar milhares de histórias.

Pauline (esquerda) e Juliet (direita)
O que elas não sabiam, era que aquela maravilhosa história de amor, acabaria da pior maneira possível. Pauline escrevia um diário, onde expressou todos os seus sonhos e sua rotina diária. Ali haviam histórias, inclusive, de relações sexuais entre ela e Juliet. Ela contava absolutamente tudo ao seu diário, e isso foi o que a delatou. Nos anos 50, na Nova Zelândia e na maioria dos países, a homossexualidade era considerada uma doença mental. Pauline foi diagnosticada de “lesbianismo” pelo médico Kenneth Stallworthy, que procurou a mãe de Juliet. Henry Hulme estava muito preocupado com a relação das duas meninas, porque não via como natural, ou normal. A culpa, é claro, foi colocada em Pauline.


Pouco depois, a ameaça de serem separadas para sempre assombra as garotas, que decidem ir juntas para os Estados Unidos, vender as obras de teatro que escreveram juntas. Contudo, por causa da instabilidade do casamento dos Hulme, a separação se torna evidente e Juliet se vê obrigada a ir à África com sua tia. Pauline decide ir com ela, mas o plano é frustrado quando sua mãe se recusa a permitir que a filha viaje com a amiga. Nesse momento, Pauline percebe que o único obstáculo entre ela e Juliet é Honora Parker, sua mãe.

E, por isso, decidiu matá-la.
 

No dia 22 de junho de 1954, Honora foi encontrada perto do Parque Victoria, com o crânio destroçado por golpes.


As autoridades encontraram o cadáver e pouco depois, Pauline Parker e Juliet Hulme foram indicadas como as autoras do crime. A prova: os diários de Pauline. Ela havia planejado tudo. Sabiam o que tinham que fazer, e como iam fazer. Juliet lhe ajudaria em tudo.


Em 22 de junho de 1954, as garotas conduziram Honora Parker a um passeio, a pé, pelo parque Victoria, na cidade de Christchurch, onde moravam até então. Em um lugar solitário do parque, Juliet jogou uma pedra de ornamento no chão, fazendo com que Sra. Parker se agachasse para pegá-la. Nesse momento, Pauline havia planejado golpear sua mãe com metade de um tijolo envolto em uma meia. As garotas achavam que isso seria o suficiente para matá-la, entretanto, foram necessários 45 golpes de ambas para finalmente matar Honora Parker. A brutalidade do crime contribuiu para sua notoriedade.


Pauline e Juliet foram levadas a juízo em Christchurch em 1954, e foram declaradas culpadas em 29 de agosto do mesmo ano. Como eram muito jovens para ser submetidas à pena de morte segundo a lei neozelandesa daquela época, foram sentenciadas e condenadas a permanecer presas na graça de Sua Majestade. Na prática, essa sentença significava que permaneceriam presas a critério do Ministro da Justiça. Foram libertadas, separadamente, uns 5 anos depois. Uma das condições para sua libertação foi que jamais voltariam a se ver ou comunicar.

Juliet Hulme logo após a libertação, mudou seu nome para “Anne Perry”, usando o sobrenome de seu padrasto. Voltou para a Inglaterra, para morar com sua mãe, no povoado escocês de Portmahomack. Se tornou uma famosa escritora de livros sobre assassinatos, histórias de detetives e mistérios. Nunca se casou, nem teve filhos.

Anne Perry
Pauline Parker, também após ser libertada, mudou seu nome. Se chamaria “Hilary Nathan”. Depois de passar um tempo vivendo na Nova Zelândia, ante a vigilância das autoridades, se mudou para a Inglaterra. Ingressou em um convento católico e se converteu. Atualmente, também reside na Inglaterra, nas ilhas Órcades. Não se casou, nem teve filhos. Se negou a falar com a imprensa sobre o assassinato de sua mãe, e apenas disse ter remorso e estar arrependida.

Hilary Nathan
Acredita-se que nenhuma delas jamais voltou a se encontrar.