domingo, 27 de outubro de 2013

A noiva cadáver de Carl von Cosel


Muitas vezes nos deparamos com histórias, que fazem com que a gente se pergunte, que tipo de "loucuras" o ser humano é capaz de realizar, seja por dinheiro, por amor, doença, desespero e insanidade. Me preocupa muito quando mais de um dos fatores acima citados, fazem parte de em um individuo. O texto a seguir apresenta uma dessas histórias.

Carl von Cosel deixou sua cidade natal Dresden, (Alemanha), em 1927 rumo à Key West na Flórida, em busca de uma nova vida. O médico estava então com 50 anos. Lá, Cosel começou a trabalhar no United States Marine Hospital, como radiologista e patologista. Dotado de grande inteligência, possuía uma oficina em sua casa onde construía inúmeras invenções, como um avião de ferro velho e restos de material militar batizado carinhosamente de “Condessa Elaine”. E assim o experiente doutor levava sua vida, até que em abril de 1930 uma paciente mudaria totalmente sua história.
 
Maria Elena Milagro de Hoyos, uma bela jovem cubana de 21 anos, que havia sido diagnosticada com tuberculose e recebia os cuidados do Dr. Cosel, que logo na primeira consulta se viu apaixonado pela garota. Obcecado por essa paixão, Carl tentava desesperadamente recorrer a todo tipo de tratamento para salvar a pobre Elena, desde inventos de poções a descargas elétricas na paciente, mas tudo sem sucesso. Elena veio a falecer pouco tempo depois, aos 22 anos em sua casa, tendo Cosel a seu lado até o último suspiro. Arrasado pela morte da amada, o médico se ofereceu para pagar o funeral e construiu um mausoléu desenhado por ele mesmo, com um caixão metálico cheio de substâncias como formol para conservar o bom estado do cadáver, tudo para dar um descanso digno à sua musa. Até agora uma triste história de amor certo? Mas é aí que a bizarrice começa...
Maria Elena antes de adoecer.
Todas as noites Carl visitava o sarcófago de Elena e passava horas conversando com o que ele imaginava ser a jovem, até que um dia, segundo o próprio médico, ela pediu para ser retirada daquela prisão em que se encontrava, para que pudessem ser felizes juntos. O doutor não pensou duas vezes e retirou o cadáver de lá, levando-o para o Condessa Elaine, (seu avião).

A partir daí a obsessão para que Elena ressuscitasse fez com que Cosel fosse capaz das maiores loucuras. O médico fixou os ossos da cadáver usando arames, cabides e cordas de piano, preencheu com trapos molhados de substâncias os órgãos já desidratados de sua ex-paciente, recompôs sua pele com cera, seda e gesso, substituiu os olhos podres por olhos de vidro, e assim recriou um rosto medonho para a jovem, que um dia fora tão bonita. Dias depois Cosel vestiu-a com trajes de noiva, tiara, véu, perfumou-a e ali em sua cama realizou uma cerimônia de casamento. E sim, o casamento foi consumado com o cadáver da pobre Elena. Carl passou nada mais do que sete anos vivendo com a defunta!
A "boneca Maria Elena"
A “alegria” do médico só acabou em 1940, quando desconfiada dos rumores sobre o que poderia estar acontecendo, Florinda – uma das irmãs de Elena – descobriu a macabra relação de seu “cunhado” com o cadáver. A história gerou comoção geral e durante três dias o corpo mumificado de Elena foi exposto na funerária. Há relatos de alguns idosos, na época crianças, que ficaram diversas noites sem conseguir dormir após a visão medonha da boneca cadáver. Também, pudera! Logo depois foi enterrada sem identificação no cemitério da cidade para que finalmente pudesse descansar sossegada, sem correr o risco de ser furtada novamente.

Quanto ao Dr. Carl von Cosel, o que se seguiu foi no mínimo curioso. Enquanto o médico despertava o ódio da família de sua ex-paciente e “esposa”, ao mesmo tempo angariava diversos fãs comovidos com sua “história de amor”. Dois deles pagaram sua fiança e o apaixonado pôde viver em liberdade enquanto aguardava o julgamento. Além disso, Carl “ganhou” o direito de “desfrutar” dos serviços de um grupo de prostitutas cubanas “gratuitamente”. É mole? Como o crime prescreveu, o doutor ganhou a liberdade e pasmem, foi declarado mentalmente saudável, sem nenhum tipo de insanidade!

A história só terminou, em 3 de julho de 1952, quando Carl foi encontrado morto abraçado a uma imagem de cera de sua amada Elena.



Confira abaixo um vídeo sobre o caso: