sábado, 12 de outubro de 2013

Somente um sonho





As 2:00 da manhã ela acordou, sentou-se na cama, pensou, arranhou os pés no chão procurando a sandália.
Estava escuro. Fazia frio. Não tinha ninguém em casa. Apenas uma luz do outro lado da rua. Caminhou até a janela, ainda sonolenta e descalça. 
Foi até a cozinha e bebeu água. Olhou da janela e não viu ninguém. Pegou um diário e uma caneta, acho que escreveu alguma coisa. Voltou até a janela e olhou diretamente para a luz, para mim. Mas não me viu. 
Passava a mão no rosto constantemente, acho que estava chorando. Abriu uma a janela, apenas uma brecha, o vento era congelante, mas ela não sentiu. Receitas médicas e medicamentos suicidaram-se através da brecha. 
Outra vez, ela pegou o diário: - "Já não faz mais sentido, nada faz sentido, por que eu deveria fazer? Já não sei controlar a dor, já não existe dor, eu sou a dor que sinto. Já faz algum tempo que eu ando me perdendo, há tempos não sei aonde estou, como posso me encontrar? Já não sou mais a mesma, nunca fui a mesma, como posso saber quem agora eu sou? Toda luz do mundo agora se resume em um quarto estranho do outro lado da rua. Estão todos dormindo, não vou esperar amanhecer, não quero atrapalhar o sono de ninguém. Até a próxima vez."
As 3:00 da manhã o vidro trincou, as 3:10 o vidro estourou, as 3:11 um corpo estava no chão. As 3:30 os bombeiros vieram, não acharam nada. As 4:00 a luz do meu quarto apagou. As 4:30 o galo cantou. As 5:00 o Sol nasceu. As 6:00 eu acordei. Olhei da minha janela, e a janela dela estava intacta. 


Eu ainda estou vivo. Foi só um sonho. 


(P.S.: O título original do conto não é este)


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